Quando o fogo ganha a força de um gigante
Relato de um dia de cobertura do fogo em Vila de Rei. O poder das chamas, a ameaça à aldeia de Penedo, a coragem dos habitantes e o contrafogo dos espanhóis, essencial para travar o incêndio.
Na segunda-feira, a equipa da Tomar TV partiu de Tomar com câmaras e microfones. Do horizonte, erguia-se uma nuvem de fumo como se houvesse uma guerra lá ao longe. Pelo caminho, quilómetros e quilómetros de paisagem negra pintada de fresco. Passámos pelo Lago Azul, em Ferreira do Zêzere, que deixara de existir com o fogo no dia anterior. Chegados a Vila de Rei, a guerra era outra.
O incêndio lavrava intensamente. Encontrámos uma via que levava ao fogo e seguimos. Bastou um minuto para a estrada por onde tínhamos passado se transformar num inferno. O lume agarrava-se aos eucaliptos e às acácias. Lavrava na base dos pinheiros e propagava-se velozmente. Um instante depois, já não havia sinal dos bombeiros que estavam junto ao cruzamento. Ficámos, três, por nossa conta e risco. E mais o fumo, que irrita o nariz e faz lacrimejar.
Publicado originalmente no ECO